quarta-feira, 25 de junho de 2008

As mudanças no jornalismo: do papel para o digital

Jornal em papel, o que é isso?
No ano de 2043 o jornal impresso vai morrer. Quem o diz é Philip Meyer, citado pelo The New Yorker. As mudanças no jornalismo são cada vez mais evidentes: longe vão os tempos em que os jornais só se podiam ler em papel. Hoje em dia, qualquer jornal que queira acompanhar de forma mais presente a actualidade, tem de ter um site na Web. Aliás, já são muitos os casos de jornais que só existem na Web. O jornalismo está a sofrer mudanças; o jornalismo, os jornalistas, os suportes de divulgação.

As mudanças
Se em papel o jornalista tinha de se preocupar apenas com texto e fotografia, hoje o jornalista tem também de ter em conta a ajuda do vídeo, do áudio, dos gráficos para que o leitor possa absorver cada vez melhor a informação.
Assim nasceram os jornais online, ou melhor, os sites dos jornais impressos, que numa primeira fase, faziam apenas uma transposição literal dos conteúdos desenvolvidos na edição impressa.

De forma gradual, vai-se vendo a preocupação dos jornais em tornarem os seus sites meios de referência para o público, tendo informação diversificada, sempre actualizada e disponível em vários formatos. No entanto, ainda há sites que se encontram na “primeira fase” do processo, como é o caso do site do Diário de Notícias, que apenas disponibiliza os conteúdos do jornal impresso.


Vídeos, infografia, fotogalerias

O Público é um dos jornais portugueses que tem vindo a ter em conta estas novas formas de divulgar informação.

Foi em Novembro de 2007 que o jornal começou a ter vídeos disponíveis no site.
O canal disponibiliza os vídeos mais importantes da actualidade, vindos das agências ou outros sites, mas também há espaço para uma produção editorial própria, com reportagens e documentários.

Para manter este canal de vídeo, o Público transformou duas salas da sua redacção num estúdio de edição e captação, com três jornalistas e dois técnicos responsáveis pela secção, como explica o vídeo de apresentação do canal.

O site disponibiliza também uma secção dedicada à infografia.



Vários fenómenos, por vezes complicados de perceber apenas com palavras, são explicados através do recurso a imagens, mapas, gráficos. O leitor tem uma visão muito mais abrangente e atractiva sobre o assunto que está a ser explicado.

A fotogaleria tem também uma secção própria, que dá destaque, através da fotografia, de determinados acontecimentos dentro da actualidade.


Estas novas formas de fazer jornalismo estão cada vez mais presentes nos media noticiosos. Se estas alterações fazem o jornal impresso ter os dias contados é um debate que tem gerado controvérsia. As visitas aos sites noticiosos têm aumentado, e por outro lado, a venda dos jornais não tem sofrido grandes consequências. O director geral da World Association of Newspaper (WAN), Timothy Balding, afirmou recentemente que “a venda de jornais diários tem aumentado ou tem-se mantido estável em 75 por cento dos países do mundo nos últimos cinco anos e em quase 80 por cento no ano passado”.

No entanto, em Portugal, não se verifica um crescimento nas vendas dos cinco diários mais lidos no país, mas ainda será cedo para declarar a morte dos jornais em papel.

Talvez o formato em papel tenha de começar a servir outros propósitos que não os de dar as notícias de última-hora. Aliás, essa tarefa tem sido cada vez mais relegada para os sites, pois pode ser alvo de uma constante actualização. Já o papel poderá servir para fazer uma maior contextualização e interpretação das notícias, à luz dos vários acontecimentos da actualidade, como aliás, já tem vindo a ser feito. Claro que tudo isto pode ser feito em formato digital, mas acreditamos que o hábito de levar o jornal ou a revista para qualquer lado, não vai ser substituída assim tão facilmente pelo computador portátil. Não é só uma questão de mobilidade, é uma questão de tacto.

segunda-feira, 23 de junho de 2008